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A necessidade da crítica
Por Cristhiano Aguiar
Este ensaio procura dialogar com o tema debatido no primeiro episódio desta temporada do Laboratório, a crítica cultural, através de um comentário a três textos: “As dimensões da crítica”, de Gerd Bornheim, “Jornalismo e crítica”, de Marcelo Coelho[1] e “O leitor médio”, de Frank Kermode. A partir de considerações a respeito do nascimento da crítica e do seu lugar social, passaremos pela reflexão sobre seu espaço no jornalismo contemporâneo, para por fim nos perguntarmos: para que serve tudo isto? Existe alguma função social que a crítica e a literatura devem desempenhar? O que nós, profissionais da palavra, temos a ver com estas questões?
A necessidade da crítica
Indagar das origens da crítica implica em pensarmos se ela sempre foi um discurso necessário. Se debatemos a sua presença, ou ausência, o seu vigor, ou decadência, fundamenta este debate um específico lugar que esperamos que a crítica ocupe. A arte e a literatura sempre foram motivo para reflexões. Ou melhor: sempre foram debatidos, em diferentes épocas e pelas diversas culturas, aqueles objetos ou eventos que o nosso moderno conceito de arte incorporou quando precisou escrever a própria história. “Teatro”, “poesia” e “escultura” existem há bastante tempo, mas é provável que a Antiguidade não concordasse exatamente com o significado que damos hoje a estas três palavras. As discordâncias ocorreriam, do mesmo modo, no tocante ao debate a respeito da crítica. Para os Antigos, o caminho a ser percorrido pela leitura crítica seria muito mais definido do que hoje em dia.
A crítica literária nasce de três elementos que a modernidade ajudou a inventar, ou ao menos, a desenvolver: a) a dessacralização dos discursos estéticos; b) a noção de indivíduo; c) a caducidade de uma Norma Estética Oficial. Nestas três invenções devemos reconhecer não apenas o rosto da crítica literária, como o nosso próprio; aqui, serão definidos tanto o lugar social do crítico, quanto os valores que a modernidade elegerá como de maior prestígio (a originalidade sendo um dos mais importantes). Não apenas isto. A crítica é fundada em um permanente estado de crise, porque ela sempre atua em um espaço vazio que exige a elaboração do novo; a crise se origina da base movente sobre a qual a crítica tenta equilibrar-se. Mesmo quando a arte trabalha com suportes e gêneros textuais consolidados – a pintura, ou o romance -, em maior ou menor grau ela exigirá que o leitor descubra uma maneira de lê-la. Embora não exista ato de leitura absolutamente individual, porque as interpretações que construímos possuem história e contexto; ideologias e conformações sociais; também é verdade que um novo romance apresenta novidades que de alguma forma não estavam socialmente pré-codificadas. Elas não estavam, digamos, “contidas no manual”.
Para ler o artigo na íntegra, baixe o arquivo PDF clicando aqui.
[1] Os dois primeiros textos podem ser consultados no livro Rumos da crítica, organizado Maria Helena Martins e publicado pela editora Senac. O terceiro, na compilação de ensaios de Kermode Um apetite pela poesia.
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A crítica e a produção da sétima arte
É cinema. O projeto Laboratório & Crítica, além da Literatura, nessa segunda temporada, promove debates também sobre a sétima e outras artes. Nesta terça-feira, 9 de Agosto, a partir das 19 horas, no Teatro Hermilo Borba Filho, mais um momento do projeto que veio para abrir todas as portas da crítica e da produção acadêmica. O foco, a produção no audiovisual e suas repercussões.
A cineasta Kátia Mesel é uma das convidadas. A cineasta veterana acaba de concluir filme sobre as ligações da cultura pernambucana com a cultura judaica, tem filmes realizados desde o super-8 e uma produção constante. Dentre as produções da cineasta se destacam as adaptações de obras literárias. Também convidada para o Laboratório é a a doutora em cinema e professora da Universidade Federal de Pernambuco, Alice Gouveia. Com trabalho de pesquisa sobre processo criativo e identidades do feminino e masculino, compõe a primeira turma de professores do Curso de Cinema da UFPE.
A mediação desta edição é do jornalista e um dos curadores do projeto Laboratório & Crítica, Cristiano Ramos. Não esqueça que a nova temporada do projeto inclui ainda uma edições sobre a Dança, a Música e muito mais! Estudantes, curiosos, interessados e interessantes! Vamos lotar o anfiteatro no bairro do Recife a cada 2ª. Terça – feira do mês. Anote a data dos próximos 13 de setembro (dança) e 27 (Especial Bienal – gastronomia), 11 de outubro (música) e 13 (Especial Coquetel Molotov). E no dia 8 novembro, Artes Visuais.
Serviço: Nova temporada do Laboratório: Cultura & Crítica)
Tema: Cinema
Convidados: Kátia Mesel (cineasta), Alice Gouveia (Prof. Cinema UFPE). Mediação: Cristiano Ramos (jornalista).
Dia: 9 de Agosto de 2011 (Terça)
Hora: 19 horas
Local: Teatro Hermilo Borba Filho
Entrada Franca (ingressos entregues na bilheteria do teatro a partir das 18h)
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