Editorial

Pertencer ao universo do crítico é, por si só, pertencer a uma minoria. E não entendam essa afirmação como qualquer discurso elitista, muito pelo contrário. Pertencer a uma minoria, aqui, implica sofrer as pressões que qualquer minoria sofre. E, se se fala de minoria, dentro do universo da crítica, pertencer à casta dos críticos de teatro é pertencer à minoria da minoria.

Mesmo sabendo que em todo meio artístico é necessário conviver com a vaidade, mas no que diz respeito às artes cênicas, o debate se acirra, tanto para o lado do crítico como para o dos realizadores, diretores e atores. O exercício da crítica de teatro parecer ser, como caminhar num campo minado.

Na segunda edição do Laboratório nos debruçamos sobre o crítico de teatro, refletindo sobre sua formação e sua praxis. Qual o espaço verdadeiro do crítico de teatro na mídia? Há distinção entre o crítico militante e o jornalista cultural que eventualmente precisa escrever uma resenha de teatro? É necessária uma formação específica para o crítico? Como ser crítico sem ter acesso às produções do eixo Rio-São Paulo ou mesmo fora do Brasil? Há um método crítico compartilhado pelos profissionais da área?

Essas e outras questões são levantadas e, eventualmente, respondidas nos múltiplos braços do Laboratório: no encontro presencial que aconteceu no Teatro Hermilo Borba Filho, que esteve mais uma vez lotado para ouvir Ivana Moura, jornalista e editora do Caderno Viver, do Diario de Pernambuco, e Luís Reis, professor de teatro da Universidade Federal de Pernambuco. Cristiano Ramos, apresentador dessa edição, pôde mediar uma conversa muito produtiva entre os convidados e a plateia, que pode ser vista em parte no vídeo compacto que publicamos nesta edição.

Cristhiano Aguiar realizou três entrevistas, ouvindo o diferentes vozes dentre coletivo Bacante, do Rio de Janeiro, um grupo se dedica, paspem, à crítica de teatro! A segunda entrevista foi feita com Vavá Shön-Paulino, Diretor do Centro de Formação e Pesquisa das Artes Cênicas Apolo-Hermilo, também ator e diretor de teatro, sobre a crítica e a qualidade das peças encenadas no estado. A terceira com o crítico Astier Basílio, sobre a formação do crítico.

Cristiano Ramos, em um lúcido artigo, discorre sobre os riscos da crítica e da facilidade de se criticar o próprio crítico. Ao mesmo tempo, coloca o dedo na ferida e corta na própria carne ao levantar as lacunas na formação do crítico e as guerras de egos entre críticos e criticados.

Para completar, a revista eletrônica do Laboratório inclui o vídeo compacto do encontro de maio, dividido em duas partes. Boa navegação!

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